Cálculos

Erros comuns em memórias de cálculo e como identificá-los

Uma memória de cálculo deve permitir que outra pessoa reproduza o resultado. Quando isso não é possível, falta rastreabilidade.

O erro mais básico é apresentar apenas o valor final. Sem demonstrar as bases, as datas, as fórmulas e os índices, não há como verificar se o resultado corresponde ao critério definido.

Entre os erros que encontro com maior frequência em revisões estão:

Índice incorreto A planilha utiliza um indexador diferente daquele previsto no contrato, na legislação aplicável ou na decisão.

Marco temporal incorreto Os juros ou a atualização começam em data diferente da determinada.

Base de cálculo inadequada Um percentual é aplicado sobre valor diferente daquele que deveria servir de base.

Ordem de operações Correção, juros, amortizações e encargos são aplicados em sequência incompatível com o critério adotado.

Duplicidade A mesma verba, taxa ou atualização aparece mais de uma vez.

Ausência de abatimentos Pagamentos, depósitos, compensações ou valores já reconhecidos não são deduzidos.

Erro de período A planilha inclui competências indevidas, ignora alterações de critério ou utiliza quantidade incorreta de dias ou meses.

Arredondamento acumulado Pequenas diferenças são carregadas por muitas competências e geram distorção relevante.

Incompatibilidade documental Os valores da planilha não correspondem aos extratos, contratos, demonstrativos ou decisões utilizados como fonte.

A revisão deve começar pela base documental e pelos critérios definidos para o cálculo, sem transformar a análise contábil em interpretação jurídica. Identifico o critério que foi determinado ou apresentado e verifico se a planilha o executa corretamente.

Uma memória confiável deve deixar claro: - valor inicial; - data-base; - índices; - taxas; - periodicidade; - pagamentos; - fórmulas; - resultado de cada etapa; - total final.

O objetivo não é apenas encontrar diferença. É demonstrar de onde ela surgiu e quanto ela altera o resultado.

Pontos de atenção no caso concreto

  • O índice, a taxa de juros e o termo inicial estão coerentes com o título ou decisão?
  • A memória de cálculo permite conferência linha a linha?
  • Há diferença entre critério jurídico definido e critério matemático aplicado?

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Hazael Tadeu Piva

Sobre o autor

Hazael Tadeu Piva é contador e perito contábil, com atuação contábil e financeira desde 2014, graduação em Ciências Contábeis pela UNOESC, MBA pela FGV e registro CRC/SC 043299/O-0.

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